quarta-feira, 30 de abril de 2014

Queimadores de Gordura, quais os melhores suplementos? PARTE I

É um dos temas principais das perguntas que ouço diariamente, e hoje vou passar a limpo quais os melhores suplementos para perca de gordura.



O que vou aqui apresentar não são soluções milagrosas, (essas não existem), mas garanto-vos são uma preciosa ajuda no combate à perda de peso, quando aliado com uma base alimentar correcta.

A ressalva, que deixei na ultima frase, acaba por ser o ponto de partida.

Após,  isto, os suplementos irão ser aliados nossos seguintes pontos:
#1. Desintoxicação hepática
#2. Saúde Gastrointestinal
#3. Protecção Muscular
#4. Aumento de Metabolismo
#5. Energia

Simplificando agora um pouco os 5 pontos que enumerei:

#1. Desintoxicar, deve ser o primeiro passo para se ter sucesso na perca de peso. Um fígado intoxicado (pela má alimentação) é incapaz de eliminar eficazmente toxinas e gorduras.

#2. Tome um probiótico. Os probióticos são micro organismos vivos que irão combater células patogénicas e que deste modo restauram as quantidades equilibradas de bactérias benéficas para criar um ambiente interno mais saudável. Com um intestino saudável, será sempre mais fácil perder gordura.

#3. Tome Bcaa´s e Whey Protein. Já (ver) AQUI abordei este tema. Mas será um grande suporte, para a supressão da degradação muscular em dietas low-carb.

#4. Tome um Termogénico. A cafeína, como podemos ver neste estudo, juntamente com outras plantas termogénicas têm o poder de nos aumentar o metabolismo.


#5. Tome MCT´s. Já não é a primeira vez que é referido aqui no blog, o poder dos MCT´s (ver aqui). Atletas que pretendam reduzir gordura corporal e que estejam com um severo corte nos hidratos de carbono na sua dieta, têm aqui um excelente aliado. Como é sabido, a falta de hidratos de carbono na nossa dieta faz com que o nível de açúcar quer no músculo quer no fígado estejam em baixo, causando deste modo fadiga em atletas que treinem diariamente. E neste ponto é até fulcral a ingestão de MCT´s pois não só fornecem energia, como também previnem a perca de massa muscular inerente a dietas low carb quando combinadas com treinos de alta intensidade.


O resultado desta conversão metabólica acelerada é que em vez de ser armazenado como gordura , as calorias contidas em MCTs são muito eficientemente convertidas em combustível para uso imediato por órgãos e músculos .
As propriedades de aumento da energia dos MCTs são atribuídos ao facto de atravessar a membrana mitocondrial dupla muito rapidamente. Nos últimos anos MCTs ganharam em popularidade com os atletas que procuram aumentar os níveis de energia e aumentar a resistência durante o exercício de alta intensidade, além de servir como fonte de energia alternativa para os atletas com dietas altas em Proteína e baixas em Hidratos de Carbono.

sábado, 26 de abril de 2014

McDonald´s - Chicken McNuggets. O que são? De onde vêm?

Após a minha estupefacção em relação aos ingredientes das batatas fritas do McDonald´s (ver aqui), fiquei com curiosidade de destapar um pouco mais o véu em relação aos restantes "alimentos" que esta cadeia de fast-food tem para "oferecer" aos seus clientes.


Hoje dediquei um pouco do meu tempo para ver os ingredientes dos McNuggets. E não posso dizer que fiquei surpreendido, afinal é mais do mesmo, se não vejamos:


--> Não gosto de começar pelo fim, mas a verdade é uma, só de ver a lista utilizada de óleos usados para cozinhar os Nuggets....dá um certo enjoo!! Se não vejamos:
Óleo de Canola, óleo de milho, óleo de soja, óleo hidrogenado de soja (com TBHQ, que como já vimos aqui tem um efeito nefasto para a nossa saúde cardíaca) e ácido cítrico.
Utilizando estes óleos como base para uma fritura, sou capaz de afirmar que não consegueria encontrar nada tão mau quanto isto. Todos eles são óleos vegetais, extraídos de (soja e milho) plantas geneticamente modificados e cultivados sobre a forma de monocultura, criando efeitos tão maus para a nossa saúde como para a saúde do nosso planeta.

Bem mas isto foi só (só???) um desabafo, tentando agora desvendar, desmascarar e perceber a sua extensa lista de ingredientes, o que encontramos?

Frango Apenas 40-50% é de facto carne. O resto é gordura adicionada, tecido conjuntivo, osso triturado, etc) ver aqui
Amido Modificado (Espessante, usado para manter a sua forma do alimento mesmo após aquecido e sobretudo para melhorar a textura do alimento)
Levedura Seca (Quando ingerido em excesso, pode levar a uma infecção , por excesso de bactérias más nos intestinos)
Ácido Citrico (Obtido através do milho OGM, é aqui utilizado como conservante para manter o Nugget douradinho, apetitoso e com aspecto fresco)
Sal (Além de ser usado como intensificador de sabor, o sal é usado também como conservante pois à medida que aumenta a concentração de sal , as bactérias são menos capazes de crescer, o que retarda o processo de deterioração dos alimentos )
Óleo de Cartamo (óleo vegetal, gordura inflamatória)
Dextrose (açúcar????)
Fosfato de Alumínio de Sódio (Fosfato de sódio e alumínio contém alumínio, o que é prejudicial para os tecidos do corpo. Alumínio se acumula no organismo ao longo do tempo, principalmente no cérebro e ossos, de modo que os efeitos da toxicidade de alumínio aparecem gradualmente. A toxicidade do alumínio afeta negativamente o processamento cognitivo, memória e humor. É muito comum no meio ambiente, por isso é aconselhável para evitar a ingestão de alumínio, tanto quanto possível. É usado aqui como imulsionante, tornando o alimento mais suave e ainda evita a sua separação)
Fosfato de monocálcio É um aditivo alimentar que preserva o sabor dos alimentos e também melhora a sua aparência e sabor .
Calcium Lactate Usado como conservante para abrandar o crescimento de leveduras e bolores.

Posto isto, sei que haverá milhões de pessoas que continuarão a comer isto diariamente, mas em todo o caso há uma certeza que não poderemos ignorar: há uma ligação entre as doenças crónicas e a industrialização dos nossos alimentos.

O aparecimento de alimentos altamente processados, de cereais refinados; a utilização de químicos e a alteração da dieta dos animais que produzimos para obtenção de carne, o cultivo de vegetais em vastas explorações de monoculturas; a superabundância de calorias baratas e vazias provenientes de açúcar e xarope de milho, deram origem à dieta ocidental que conhecemos nos dias de hoje e que invariavelmente torna as pessoas doentes e com excesso de peso.

Factos:
1) mais de 50% dos Portugueses têm excesso de peso (as consequências estéticas são apenas uma gota no oceano);
2) já temos mais 1 milhão de diabéticos em Portugal e se pensarmos em diabetes e pré-diabetes combinadas esse número sobe;
3) 40% dos 
Portugueses adultos têm Hipertensão
4) mais de 60% das mortes na Europa em pessoas com < 75 anos são causadas por doenças cardiovasculares e cancro;

terça-feira, 22 de abril de 2014

McDonald´s - Batatas Fritas GMO. Serão apenas batatas fritas?

Seria justo pensarmos que as batatas fritas do McDonald´s têm apenas: Batata, óleo e sal.



Mas, a comida industrializada está longe de ser simples e a cada dia que passa ultrapassa todos os limites.

Dito isto resta explicar que as batatas fritas da tal cadeia de fast-food tem nada mais nada menos que 17 ingredientes:
Batata GMO (geneticamente modificada.)
Óleo de Canola (também ele GMO)
Óleo de Soja
Óleo de Cártamo
Sabor Natural (?????)
Açúcar de milho GMO
Ácido de sódio pirosfosfato (conservante da cor) ver aqui
Ácido Cítrico (conservante, extraído do milho GMO)
Dimenthylpolysiloxane (anti-espuma) ver aqui
Azeite para fritar com 7 tipos de óleos (maioritariamente feito com óleos obtidos do milho, soja  e canola...sendo estes dos alimentos produzidos a partir de sementes geneticamente modificados)
TBHQ, apenas e só o ingrediente mais controverso. (ingrediente usado aqui como conservante para reduzir a perca de nutrientes e a degradação das gordura. Está relacionado com doenças como a asma, doenças de pele, desordens hormonais e aumenta exponencialmente o risco de doença cardíaca.  ver aqui

Após isto, fará sentido o slogan: "I´M LOVIN´IT"????

sábado, 19 de abril de 2014

Queijadinha de Coco, NoGluten & NoSugar

Com a Páscoa a bater-nos à porta e com o verão no horizonte, surge mais uma vez o dilema.

Continuarei a seguir a dieta? Ou vou ceder ao mundo do açúcar neste domingo de Páscoa?!?

Indo ao encontro dos que irão querer manter longe de si os maus alimentos, hoje pus mãos à obra para vos trazer umas das minhas experiências na cozinha.

E o que aqui vos trago hoje é uma queijadinha altamente saudável, com alto valor proteico e de gordura de qualidade e baixa em açúcares. Qualidade e quantidade estes, de macro nutrientes que aprecio especialmente.

Ingredientes
#4. Gemas de Ovo (usei ovos caseiros)
#50g. Coco Ralado
#30g Leite de Coco
#30g Farinha de Coco
#400g Requeijão
#1 Colher de sopa de Azeite
#1 Colher de sopa de Manteiga
#1 Chávena de água (para hidratar o coco ralado)
#Canela a gosto

Preparação:
-Separe as gemas das claras em recipientes distintos
- Coloque o coco a hidratar com a água
-Adicione as quatro gemas com as 400g de requeijão e vá mexendo com a colher de pau
-Adicione a canela, a farinha, o leite de coco, o coco ralado(previamente hidratado em água), o azeite e a manteiga. Após adicionar os ingredientes, bata com a batedeira.
-Colocar a massa numa forma e levar ao forno a 170º, durante 20min até ficar douradinho


O resultado final é uma Queijadinha para verdadeiros apreciadores (tal como eu) de coco.
Optei por colocar numa forma grande, mas caso pretenda pode colocar a massa em formas pequeninas, de maneira a recriar a forma original das queijadinhas.


Espero que gostem, não ficou a verdadeira Queijadinha que todos nos conhecemos (a ausência de açúcar, farinha de trigo e leite condensado, faz-se sentir), mas mesmo assim posso vos garantir que ficou óptima, principalmente para quem é apaixonado pelo sabor e aroma do coco. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Omega-3, Muito Mais Que um Suplemento

Como percebemos em artigos anteriores, a nossa alimentação mudou radicalmente nos últimos 50 anos, mas não foi só a nossa alimentação que mudou. Os alimentos que alimentam os nossos alimentos (desde animais até vegetais) também mudaram radicalmente, como poderemos verificar nas 3 partes deste artigo.

Mas tal facto não pode deixar de ser referido, na medida em que assenta precisamente neste ponto, o dilema do titulo deste post. Afinal porque necessitamos tanto de um bom suplemento de Omega-3, como nunca dantes?!?

Dieta dos animais altera o tipo de gordura encontrada na carne desses mesmos animas. Dietas com rações (milho e soja) causa um enorme distúrbio no rácio omega3/6.

Onde encontrávamos um rácio de 1/1 (entre omega-3/omega-6) no gado alimentado a erva, passou a rácios completamente desregulados com a introdução das rações de origem vegetal geneticamente modificados (de milho e soja).

No Peixe, encontramos actualmente o mesmo problema, que encontramos no gado alimentado a ração. O rácio Omega-3 vs. Omega-6, também se altera consoante o tipo de alimentação do Peixe (no gráfico: Salmão, Truta e a Enguia). Estas espécies de Peixe são carnívoras, mas quando são criadas pelo ser humano em cultivo são alimentadas a ração (mais uma vez com base na soja e no milho) 

O Omega-3 é anti-inflamatório, enquanto que as gorduras Omega-6 são pró-inflamatória. Precisamos de ambas as gorduras, mas o excesso de Omega-6 desperta todo o tipo de problemas relacionados com a inflamação no nosso corpo, com poderemos ver neste estudo
A inflamação, que deriva do aumento exponencial do consumo de omega-6 (em conjunto com o aumento do consumo do açúcar) são a causa de doenças cardíacas, problemas digestivos, obesidade, stress, cancro e diabetes..

Com as plantações em monocultura de soja e milho, todas as suas variantes, como aqui no caso o consumo de óleo de milho disparou. Com ele disparou também a diferença de rácio entre omega-3 e omega-6
Com o aumento da produção das monoculturas de milho, aumentaram todos os derivados de milho, desde óleos (carregados de Omega-6) até, como podemos verificar no gráfico, de um dos açúcares mais perigosos para a saúde pública: XAROPE DE MILHO COM ALTO TEOR DE FRUTOSE!!

Comparação de alimentos e da sua quantidade dos seus ácidos gordos, entre o ano de 1909 (-T) e a actualidade (-C). Como é possível verificar nesta tabela, o Rácio Omega-3/Omega-6 foi brutalmente alterado. 

Como temos visto, os ácidos gordos Omega- 3 (ALA), (EPA) e (DHA) tornaram-se menos abundantes nas dietas actuais, e a proporção média de Omega- 6/Omega-3 aumentou de 1:1 para valores até 30:1.

O meu conselho, não passa apenas por aumentar o consumo de Omega-3, mas também por diminuir o consumo diário de Omega-6 que está agregado a quase todos os alimentos industrializados. Desde óleos alimentares (com a única excepção do azeite), passando por margarinas (a tal substituta da manteiga, que os engenheiros alimentares e as grandes campanhas de marketing, nos influenciaram a comprar), maioneze, batatas fritas, bolos, bolachas (sim, até a mítica bolacha maria, recomendada por nutricionistas, tem gordura vegetal), e todo o tipo de alimentos industrial (leia-se lixo) que todos os dias as poderosas marcas de comida industrializada através de campanhas publicitárias intermináveis e agressivas nos tentam vender.

Mais que uma necessidade, com o aparecimento de "alimentos" altamente processados, com a utilização de químicos na produção de carne e até vegetais em vastas explorações de monocultura, com a superabundância de calorias baratas (e vazias), provenientes de óleos e açúcares produzidos pela agricultura moderna (milho, soja e trigo), torna-se fundamental um bom suplemento de Omega-3.

Omega-3, que utilizo diariamente. Obtido através de destilação molecular de forma a extrair de forma segura os metais pesados, mantendo a qualidade dos seus ácidos gordos. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reflex Instant Whey Duo, REVISÃO!

É matéria que gosto de abordar e acaba por ir de encontro às solicitações que me vão chegando, hoje vamos fazer mais um review a um suplemento. O escolhido, pela quantidade de pedidos, foi a Proteína da Reflex: INSTANT WHEY DUO.




Pois bem, vamos la então dar corpo à critica e à revisão sobre este produto, e para tal mais importante que ver a parte da frente do rótulo (por sinal, bem bonito) ou de ler frases espectaculares carregadas de marketing como esta:

"Reflex Instant Whey Duo, é provavelmente a proteína mais vendida e respeitada na Europa hoje em dia, é a única whey que é testada todos os meses por entidades independentes de forma a garantir uma concentração de proteína no mínimo igual ao que está descrito no rotulo 75%, a maioria das vezes é apresentados nos testes concentração bem superior a 75%. Isto é um padrão muito difícil de alcançar por outras marcas" 

...será ver realmente que ingredientes tem esta Proteína


No primeiro impacto o que salta à vista, são os 75% de Proteína, percentagem essa que acho boa como base para termos um bom suplemento de Proteína. Mas que ingredientes nos fornecem esta quantidade de Proteína neste suplemento:

- Whey Concentrado
- Whey Isolado
- Peptídios de Glutamina
- Milk Protein
- Caseinato Micellar
- Ervilha

A partir daqui já temos uma boa base para fazermos a nossa avaliação.

Fontes de proteína  como (sobretudo a whey) Whey (concentrado e isolado) e o Caseinato são fontes proteicas de elevada qualidade e com alto valor biológico, mas que dizer dos peptídios de glutamina? Bem estes peptídios que estão aqui a ocupar espaço na formula, não são proteína completa (é apenas 1 aminoácido, sendo por isso apenas uma pequena parte da proteína), mas o pior motivo pelo qual excluo (como fonte de qualidade) os Peptídios de Glutamina é porque eles são extraídos do Trigo (Gluten, é a parte proteica do Trigo e que já muitos sabem que é altamente prejudicial e não apenas para Celiacos, pois esta proteína aumenta a permeabilidade intestinal mesmo em doentes não Celiacos como verificamos aqui) uma proteína altamente alérgica para o nosso organismo e que tem origem no...trigo!! Não há motivos nenhuns para que um suplemento proteico inclua estes Peptídios na sua formula a não ser torná-lo um suplemento com uma concentração de "proteína" elevado com um custo de produção bastante inferior. Caso este suplemento fosse concebido apenas com proteína completa extraída do Whey, sairia com toda a certeza bastante mais caro para quem o produz.

Dieta com Gluten | Dieta sem Gluten. Após dieta sem Gluten houve um bom impacto clínico sobre os sintomas , a AGA-IgA tornou-se negativa.
***O exame de sangue AGA- IgA é um dos exames de sangue doença Celíaca geralmente usados ​​para diagnosticar

Não é de estranhar que advertências como estas apareçam neste rótulo, pois Lactose e Gluten nesta formula não falta!!!

Após, este aparte do Gluten e do seu impacto negativo na nossa saúde. Seguimos então com a análise das restantes fontes proteicas. Milk Protein, é uma proteína que extraída directamente do leite  (embora seja confundida com o soro do leite pelo comum consumidor) convém avisar que não é de todo a mesma coisa. A concentração de lactose na proteína do leite e a baixa concentração em proteína aliado ao baixo valor biológico da proteína de ervilha, faz com que este suplemento perca qualidade.

De um modo geral se pretende um produto com uma mistura de diferentes proteínas e com isso ganhar diferentes tempos de absorção dos aminoácidos, utilize um suplemento com fontes de proteína mais válidos e saudáveis que este. Fontes como Whey, Albumina e/ou caseína serão sempre um mix proteico melhor do que este que aqui vimos.

domingo, 6 de abril de 2014

O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? PARTE III

Dando continuidade ao O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? agora na parte III do artigo, acho que acabamos por perceber a verdadeira dimensão dos problemas que temos com a realidade da alimentação actual das nossas sociedades. O tema prometia ter uma resposta um pouco mais complexa para as três perguntas que o título do post enumera...

Percebemos, que a carne de vaca (e os seus derivados) que comemos deixou de ser alimentada a erva, percebemos que as quintas que tinham uma diversidade enorme de plantas e animais deixaram de existir (a nível industrial) e que passaram a ser campos enormes (ocupando espaço que pertencia a extensas florestas, arrastando com isso incalculáveis estragos ambientais) de monoculturas de milho (e soja). Com a entrada do cultivo das monoculturas, com a implementação de azoto sintético, de herbicidas e pesticidas, ficou também percebido que deixamos de parte a energia solar (que alimentava os pastos) e da qualidade do húmus dos solos para depender da energia fóssil (usada para produção de fertilizantes, herbicidas e
pesticidas).

Concentrated Animal Feeding Operation

Os animais que antes eram alimentados com erva dos pastos, foram eles também transferidos para fabricas de monoculturas para produção de animais, as chamadas CAFO (concentrated animal feeding operation) na qual vos deixo um excelente LINK que vos dará conta de tudo sobre este infeliz processo.

Será que quando pagamos 1€ no McDonald´s por uma hambúrguer é assim tão barato?


Acho que um NÃO será a resposta mais acertada!!
Ainda assim alimentar animais com milho barato é realmente tentador em relação à energia barata, afinal o milho (junto com hormonas) engordam um animal muito mais rapidamente do que a erva dos pastos.
Não podemos é deixar de parte o preço que iremos todos pagar no que se refere à destruição do solo (com quantidades de químicos que destroem o Húmus), a utilização de uma fonte de energia esgotável (petróleo, usado não só na confecção do milho, assim como no transporte do milho para as fabricas que transformam o milho, no transporte da carne, etc etc etc), à saúde pública e sobretudo ao sistema de saúde na forma de obesidade e outras doenças metabólicas provocadas pela alimentação da qual o milho dará origem (como vimos aqui).
Galinhas criadas ao ar livre e longe de rações de milho

Eficácia é o termo geralmente empregue para defender as quintas industriais de produção de grande escala, mas que poderá haver de mais eficaz do que uma verdadeira quinta em que os resíduos de uma criatura (por exemplo de uma vaca) se tornará no almoço de uma outra (por exemplo da galinha). Que haverá de mais eficaz que converter dejectos de vaca em ovos? Respeitando os solos, os mares, os animais, a saúde do ser humano e a natureza no seu todo.

Eficácia de um sistema industrial é conseguida à custa da simplificação: fazer muito de uma mesma coisa (significa geralmente uma monocultura, seja de animais, ou de uma espécie vegetal), uma vez após outra. Não obedecendo a mais regra nenhuma que não seja produção e lucro!

Cultivo não convencional, biológico e local não é uma miragem como muito nos querem fazer pensar. E como exemplo máximo disso mesmo temos aqui uma fazenda que nos mostra o caminho a seguir:


quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? PARTE II

Vamos dar então início à Parte II do "O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio?".


A pergunta ficou no ar, porque raio se tornou o milho, na base alimentar do gado que criamos, como de todos os "alimentos industriais"?
A resposta essa vem em nome de uma praga: Milho Geneticamente Modificado. A grande vantagem (do ponto de vista da sobrevivência desta espécie) deve-se à capacidade deste tipo de sementes Geneticamente Modificadas tolerarem bem os Herbicidas e os Insecticidas e à sua facilidade de utilizar para beneficio próprio, como em nenhuma outra espécie, os fertilizantes sintéticos. Essa capacidade do produtor aplicar quantidades maiores de Herbicidas e Insecticidas sem que a cultura plantada morra, faz do milho GM uma máquina capaz de fornecer  sem quebras de produção toda a indústria devido às grandes quantidade produzidas pelos agricultores, que mais nenhuma espécie consegue. Desde comida industrializada, refrigerantes, pasta dos dentes, molhos, pastilhas elásticas, rações para animais, maquilhagem, perfumes e até (imagine-se) de combustíveis têm na sua composição derivados do milho.

Se a aplicação destes fertilizantes químicos permitiu que o milho crescesse sem depender do que a energia do Sol lhes fornecia nem da qualidade dos seus solos, mas sim da quantidade de azoto sintético que o fertilizante químico proveniente de energia fóssil fosse capaz de transformar em "energia" alimentar, podemos daqui perceber que o que antes era uma terra carregada de húmus (conjunto de bactérias, fungos, minhocas, que criam uma simbiose perfeita entre plantas e fungos) foi reduzido a aplicações químicas de azoto sintético, potássio e fósforo.

E o que acontece, ecologicamente falando, ao azoto sintético proveniente de combustível fóssil que não é absorvido pelo milho? Umas parte evapora-se para a atmosfera contribuindo para o aquecimento global (nitrato de amónio transforma-se em óxido nitroso, um dos gases responsáveis pelo efeito de estufa). O resto do azoto excedente arrastam-se pelas chuvas por canais de drenagem até aos rios...acabando por este azoto sintético fertilizar não só os campos de cultivo, mas até rios e oceanos, beneficiando sobretudo espécies como as algas em detrimento dos peixes, envenenando desta forma o eco-sistema marinho.

Há também que levar em conta que, a busca por uma cada vez maior produção de milho levou os produtores a produzirem milho e soja em sistemas de monocultura, trazendo por arrasto uma diminuição brutal da biodiversidade, o que antes eram quintas com cavalos, gado, galinhas, erva e milho, passou a ser uma mono-culturas de Milho com Km´s e Km´s de extensão.

Começou a era em que com tanta produção massiva e em monoculturas o milho produzido excede em larga escala a quantidade consumida pelo ser humano. E o problema chega sob duas formas:
O que fazer com o milho excedente? Acho que isto já deu para ter uma pequena ideia...
Onde criar os animais que não têm mais espaço nestas quintas, nem pasto onde possam se alimentar? (Bem, isto já será abordado na Parte III deste artigo)

Cultivo em forma de mono-cultura
Mas e para o consumidor final, que impactos terá isso na sua saúde?

O artigo continuará com mais respostas, mas teremos de esperar pela PARTE III.