sexta-feira, 18 de julho de 2014

Gluten Free - O Lado Negro da Industria Alimentar

O Glúten é uma proteína que se encontra naturalmente no trigo (ou por proteínas similares no centeio e na cevada) e que aumenta o risco de permeabilidade do intestino.

A ingestão repetida desta proteína resulta em indivíduos sensíveis e incapazes de absorver adequadamente nutrientes dos alimentos e que podem vir a ser vítimas de dores abdominais recorrentes, inflamações e diarreia.

Nos últimos 20 anos, entretanto, os cientistas vêm sistematizando o conhecimento detalhado da Doença Celíaca e agora sabe-se que é um distúrbio auto-imune (e várias outras condições autoimunes, como diabetes tipo I, esclerose múltipla e artrite reumatoide - em todas elas há um denominador comum: permeabilidade intestinal) onde o sistema imunitário ataca os tecidos do próprio organismo.


O tema é complexo e irá ser tema de assunto num próximo artigo. Já que o motivo pelo qual hoje escrevo é outro: produtos alimentares sem glúten. 


Gullon, Gluten Free é um produto alimentar (infelizmente há às centenas) que a industria alimentar criou, mais uma vez quase a pedido das novas demandas nutricionais: GLUTEN FREE!!
O problema é este, se diz sem glúten, para a grande maioria dos consumidores é quase o desbloqueio mental que precisam para o comprar, pois esta frase é interpretada como saudável...O que vos vou aqui apresentar é um sinal claro, que um PRODUTO ALIMENTAR que diga GLUTEN FREE não é necessariamente saudável e não deve ter "luz verde" para ser ingerido. Se não vejamos:


Fécula de Milho, Farinha de Milho, Óleo Vegetal (já referi aqui no blogue o perigo de óleos vegetais ricos em omega-6: ver aqui) , Açúcar, Xarope de milho com alto teor de fructose (já referi aqui no blogue o perigo deste ingrediente: ver aqui e aqui), farinha de arroz, farinha de soja (junto com o milho é o alimento mais cultivado em sistemas de monocultura e com sementes GM), bicarbonato de sódio e amónio, sal, lecitina de soja, aroma de baunilha.

Pois bem pergunto eu: Que tem de diferente este produto alimentar, de um qualquer produto JUNK (além da ausência do glúten) não tem??

Eu diria que tem uma máscara, que lhe é conferida da seguinte maneira no rótulo:
  • Gluten Free
  • Selo da APC - Associação Portuguesa de Celíacos, como é possível uma associação destas, fornecer o seu carimbo a um produto desta qualidade?? Será que este produto alimentar deveria ser recomendado a quem quer que seja??
De resto, tudo igual, desde levedantes químicos, emulsionantes, açúcar, xarope de milho com alto teor de fructose, sal. Vale tudo!! Desde que o consumidor continue a usufruir do sabor doce e artificial dos alimentos Junk comuns.

É assim que funciona a industria, conforta os consumidores com palavras chaves que estes querem ouvir....mantendo-os numa zona de conforto, mas expondo-os a todos os riscos de doenças inerentes a este tipo de ingredientes!

Referências:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9097995
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21586414
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7419003

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ovos Caseiros vs. Ovos de Aviário


Quem segue o blog, mas sobretudo todos os atletas que sigo directamente a nível nutricional, sabem a importância que dou a este alimento.

Este artigo, serve para dar voz à resposta que sempre dou quando me perguntam, sobre o facto de aconselhar ovos caseiros em detrimento dos ovos de aviário.

Os ovos comerciais (de aviário) são de galinhas que são colocadas dentro de gaiolas, galinhas essas que sofrem com o corte dos seus próprios bicos, não têm acesso ao ar livre, luz solar, ou alimentos naturais (pelo contrário, elas são alimentadas com rações de baixa qualidade que contêm antibióticos que são usados para controlar as doenças causadas pela superlotação e sujidade que está interligada com a quantidade de galinhas em tão curto espaço)

Há também ovos comerciais que se intitulam de ovos criados ao ar livre. Mas ser criado ao ar livre, pode significar que simplesmente que as gaiolas são expostas à luz solar, mas que mantêm todas as outras partes negativas dos ovos comerciais comuns: Não têm acesso a comida natural mas sim as rações convencionais neste tipo de criações (com antibióticos, com milho e soja GM). São ovos mais caros, mas que em nada aumentam a qualidade de vida do ovo e muito menos a qualidade de vida do próprio animal.

De à uns tempos para cá até ovos (comerciais) enriquecidos com omega-3 existe, mas este omega-3 extra que dizem ter não é por as galinhas terem acesso a qualquer tipo de pasto, de luz solar ou de comida natural, mas sim por adicionarem à ração (com antibióticos, com milho e soja GM) por exemplo algumas sementes de linhaça. Ora isto não faz do ovo enriquecido em omega-3, um melhor alimento. Todos os outros problemas atrás mencionados continuam a ser os mesmos!!!!

Por outro lado, os ovos caseiros são por norma de galinhas criadas em pequenas casas e campos de propriedade familiar e que deixam de parte todos os problemas encontrados nos ovos comercias:

  • As galinhas são alojadas em gaiolas espaçosas
  • Têm acesso diário a pasto e a comida natural
  • Não são alimentados com antibióticos
  • Não são limpos em água, como é obrigatório nos ovos comerciais (Quando uma galinha põe um ovo a casca é coberta com um revestimento externo conhecido como a "flor". A flor seca rapidamente selando-o e não deixando as salmonelas e outras bactérias nocivas ao aparelho digestivo penetrarem no ovo. 
Eu sou um fã incondicional dos ovos caseiros pela qualidade nutricional, pelo sabor, cor e consistência destes quando comparado aos do aviário. Felizmente tenho a felicidade de os ter disponíveis todos os dias. É que para além de serem mais saudáveis para o planeta (já aqui referi no blog, o custo para o planeta das plantações da soja e do milho geneticamente modificado), são mais ricos a nível nutricional (têm mais Vitamina A, Beta-Caroteno, Vitamina E e omega-3) e não nos expõem a antibióticos (fornecidos na ração das galinhas de aviário)

Só vos deixo um "aviso", a partir do momento em que começarem a comer apenas e só destes ovos, vocês nunca mais irão ser felizes a comer ovos com gema cor de laranja (dos ovos comerciais).

sábado, 12 de julho de 2014

Amido Resistente, O Que é?

O Amido resistente, é assim chamado por ser um tipo de amido que não é completamente decomposto e absorvido, ou seja é um amido que resiste à digestão. 

Todos os amidos são compostos por amilose e amilopectina, com grandes diferenças entre os dois. A amilopectina é altamente ramificada, deixando uma extensa área de superfície disponível para a digestão e produz um aumento maior do açúcar no sangue (e posteriormente, um grande aumento da insulina). Por outro lado a amilose é uma cadeia linear que limita a quantidade de área de superfície exposta para a digestão e são digeridos mais lentamente o que faz da amilose menos propensa a grandes quantidade de insulina.


O Amido resistente, ao contrário da maioria dos amidos, não são quebrados por enzimas no nosso intestino delgado em açúcar. Em vez disso o amido resistente faz o seu caminho para o cólon, onde é fermentado. E isso traz-nos imensas vantagens:

  • Inibe o crescimento de bactérias patogénicas
  • Ajuda a absorver minerais
  • Inibe absorção de compostos tóxicos e cancerígenos
  • Aumenta a circulação de nutrientes
  • Melhora a sensibilidade à insulina
  • Maior saciedade (pela maior libertação de leptina)
  • Alivia o síndrome de intestino irritável (o amido resistente adiciona volume e água às fezes)
  • Melhor composição corporal (A quantidade de energia que fornece é 30-50% inferior aos hidratos de carbono complexos digeríveis)
O feijão branco, as bananas (especialmente quando ainda estão verdes, quanto mais verdes estiverem mais AR têm) e as batatas são dos alimentos mais ricos em amido resistente.

Nós absorvemos mais energia (calorias) de hidratos de carbono provenientes de alimentos altamente refinados e processados​​, e o problema energético é só a ponta do iceberg, pois se deixarmos as máquinas industriais (de produção de alimentos JUNK) fazerem a digestão por nós então ficamos com amidos altamente digeríveis o que não é bom para o controle da glicose, para o controle do peso, e muito menos para a saúde intestinal. 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

No Calories, No Fat, No Carbs, No Gluten, Or Sugars?!?!?!?! Serão Estes Produtos Alimentares saudáveis???


Tenho visto por tudo que é redes social, a partilha de imagens por parte de atletas que supostamente se preocupam em pesar todos os alimentos e de contar todos os macro nutrientes que ingerem ao longo do dia, de refeições cheias destes produtos da Walden Farms (ou outras marcas parecidas). E isto porque, supostamente podem usufruir do sabor doce sem que isso se reflicta no resultado da dieta ou da saúde. E digo supostamente, porque não vai à muito que escrevi sobre o assunto: ver aqui


Pode ser verdade o que referem: Não tem calorias, Não tem Gordura, Não tem Hidratos, Não tem Gluten nem açúcares...mas não são um alimento, não são saudáveis e não conseguem fugir ao rótulo de: JUNK FOOD se não, é só ler o rótulo. E ao ler a lista infindável de ingredientes (10??!) percebi que vale tudo, desde corantes naturais a artificiais, adoçantes artificiais (sucralose), conservantes (Lactic Acid, Potassium Sorbate, que é usado para prevenir o crescimento de bolores e leveduras, e que é produzido sinteticamente) até ao uso do sal.

Sou dos que acreditam que os grandes culpados da existência deste tipo de produtos alimentares, assim como uma cada vez maior procura deles por parte do consumidor, tem a ver com as recomendações nutricionais, que ou tentam vingar a ideia dos produtos low fat, ora low carb, ora lá qualquer outra moda que seja e que deixam o caminho livre à industria para criar estas obras de engenharia alimentar segundo as "novas" linhas de pensamento nutricionais.

- É preciso bebidas zero calorias? Fácil, a industria cria os "zero açúcares"
- É preciso evitar as gorduras animais? Fácil, existem as margarinas
- É preciso continuar a servir o sabor doce sem que o consumidor sinta culpas? Fácil, não faltam é xaropes como este no mercado

O que não se deve esquecer, por mais marketing que haja (cada vez mais agressivo) em volta destes produtos, é que um alimento completo será sempre melhor e mais saudável que um produto JUNK deste tipo que tem um incalculável impacto negativo no nosso corpo (e as doenças ocidentais, são prova disso mesmo), tenha esse alimento uma x gramas de hidratos de carbono, gorduras ou proteínas.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

|Glicerol/Glicerina| De culturistas a maratonistas, todos têm a ganhar

O glicerol é uma pequena molécula orgânica que se apresenta como um líquido viscoso incolor e inodoro e que não é mais que uma combinação de açúcar e álcool. 


Sendo ainda um suplemento desconhecido do grande público, a Glicerina ou Glicerol (pode ser chamado das duas maneiras) está no foco dos atletas de fundo por ter a capacidade de criar um estado de hiper-hidratação.


A toma de glicerol não é novidade para atletas Olímpicos, já em de Atenas 2004 num clima quente, a maratonista Americana Deena Kastor usou glicerol.

Em climas especialmente quentes e húmidos o suor não evapora facilmente e por isso, o corpo transpira mais. O volume de sangue cai, e o corpo tem que fazer uma escolha: desviar o sangue para a pele para arrefecer ou desviá-la para os músculos para o melhorar o desempenho e o que simplesmente acontece é que o sangue é desviado para a pele. Como resultado disso o atleta fica mais lento, fatigado e desidratado. 
Seria de esperar que beber água a mais antes do treino resolvesse a questão, mas isso simplesmente não funciona, pois o consumo de uma grande quantidade de água aumenta o volume de sangue e o corpo responde...urinando. É aqui que entra o glicerol, em que cada molécula de glicerina tem a capacidade de absorver três moléculas de água. O resultado traduz-se numa maior quantidade de água disponível na massa muscular, reduzindo deste modo a fadiga, desidratação e o risco de lesão.

Há até estudos ver aqui a referir que a combinação de Glicerol com Creatina, diminui a tensão térmica e o esforço cardiovascular, mostrando estes dois suplementos serem eficazes no processo de hiper hidratação


 Frequência cardíaca (FC) durante o exercício em 10 e 35° C antes (círculos pretos) e depois (círculos brancos) da suplementação com glicerol e creatina. 
O novo achado deste estudo é que uma estratégia de carregamento de água antes do exercício previamente estabelecido usando uma combinação de agentes hidratantes como Creatina e o Glicerol que aumentaram significativamente compartimentos de água do corpo e redução cardiovascular durante o treino em altas temperaturas.

Não querendo especular mais acerca desse assunto, mas não teriam muito a ganhar os jogadores da nossa selecção de futebol em usar estes estudos científicos em prol dos seus objectivos, numa altura em que tanto se falou das altas temperaturas e da desidratação a que estavam sujeitos neste campeonato do mundo no Brasil??? 

Já no culturismo, o glicerol é usado principalmente como um suplemento para tomar antes de uma competição para remover a água dos tecidos periféricos e forçar o corpo a armazenar a água extra no sangue e deste modo a evitar a desidratação muscular permitindo assim melhorar a definição muscular sem desidratar o atleta (a maioria dos diuréticos puxa a água e os electrólitos para fora do corpo através da urina).

terça-feira, 1 de julho de 2014

Perda de Peso: Hidratos de Carbono à noite, sim ou não?

O título é apelativo, sobretudo para as pessoas que procuram uma solução rápida ou o dito "truque" para perder peso.

Mesmo não gostando, de começar um artigo com a sua resposta, diria que...a ingestão de hidratos de carbono, pouco ou nada tem a ver com a hora do dia!!

Quando o objectivo, é perder gordura e melhorar a composição corporal, devemos com toda a certeza fazer um controlo nos HC, mas isso não quer dizer que os deixemos de comer numa determinada hora do dia, seja ao deitar, ao jantar ou até ao pequeno almoço.

Sou adepto, mesmo em fases de secagem, de consumirmos HC sobretudo em períodos à volta do treino não só para ter alguma energia para treinar, como também para melhorar a nossa recuperação ao esforço.

De facto há imensas vantagens em comermos HC com elevada carga glicemica após treino (até mesmo em fases de secagem) pois nessa altura específica do dia iremos obter grandes vantagens (ver aqui):
  1. Teremos a certeza que esses HC serão usados para reposição de glicogenio
  2. Óptima recuperação ao esforço
  3. Balanço proteico positivo, através do efeito anabólico da insulina  


Ora importante mesmo nesta matéria, sobretudo para quem quer perder gordura corporal, não é a hora do dia a que se consome os HC, mas sim a quantidade de picos de insulina que haverá ao longo do dia, pois os resultados serão sempre melhores com um único pico de insulina (após treino, seja o treino de manhã, à tarde ou à noite) do que propriamente com pequenos picos de insulina espalhados ao longo do dia. Dependendo das necessidades energéticas de cada atleta, uma quantidade correcta de HC antes/durante e após treino poderá ser não só benéfico como fundamental para gerir correctamente o peso/performance/recuperação. Se esse treino for à noite não há motivos para não ingerir HC, muito pelo contrário. E nesse caso devemos optar pelas primeiras refeições do dia baixo em HC optando por exemplo por um pequeno almoço à POLIQUIN - "The Meat and Nut Breakfast"