quinta-feira, 16 de março de 2017

Consumo de Glúten pode estar ligado a menor risco de diabetes

Consumo de glúten pode estar ligado a menor risco de diabetes esta é a notícia que saiu recentemente na edição escrita do Jornal de Notícias!



Este tipo de estudos derivam de estudos observacionais , sendo estes estudo apenas associações onde não há qualquer relação de causa-efeito! Como tal este título não deveria ser colocado pelo JN (Isto não foi um estudo de intervenção!)
Posto isto, segundo a mesma fonte: "Em contrapartida, os participantes que consumiam menos glúten (menos de quatro gramas por dia) tendiam a ingerir menos fibra de cereais, um protetor natural do organismo contra o desenvolvimento da diabetes do tipo 2."
Menos fibra? Então substituíram os cereais (trigo, o centeio e a cevada) porque alimentos? Aqui é o centro do debate!
Se substituir os cereias, por frutas e legumes, não só diminui o risco de diabetes tipo II, como pode ainda melhora a sensibilidade à insulina (4) e aumenta a tolerância à glucose (5)
Grama por grama
Frutas e legumes têm em relação aos cereais (1)
- Carga Glicémica
+ Quantidade de água
+ densidade de micronutrientes
Os cereais contêm inibidores amilase/tripsina causa inflamação (crónica..com a ingestão crónica de cereias!) (2)
Os anti-nutrientes presentes nos cereais inibem a absorção de Ferro, Zinco, Calcio e Magnésio. (3)
Os cereias têm um rácio Omega6/Omega3 que não nos é vantajoso. (3)
Os cereais podem teoricamente contribuir para auto-imunidade e alergias devido à composição das suas proteínas e das lectinas.
--> Mesmo que os cereais, em particular os cereais integrais, sejam mais nutritivos do que JunkFood, eles ainda parecem ser capazes de prejudicar a nossa saúde em vários aspectos. Trocar cereais por alimentos industrializados e fazer disso bandeira para um título de Jornal é no mínimo de mau gosto (sem querer entrar em conflitos de interesse!)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Devemos juntar vitamina K-2 à nossa suplementação diária?


A vitamina K é uma vitamina rara, na chamada dieta ocidental e industrializada, contudo ela desempenha um papel preponderante em muitos aspectos de saúde! 
E é rara porque esta vitamina está sobretudo presente em alimentos de origem animal (ALIMENTADOS A PASTO e não a rações ricas em cereais) com alto teor de gordura, como os ovos, fígado, manteiga etc...

Por exemplo a Vaca consegue converter a Vitamina K-1 presente nos pastos em Vitamina K-2, mas se consumir milho e trigo não poderá converter vitamina K nenhuma, simplesmente porque ela não existe nos cereais!!!

É verdade que nós, seres humanos, podemos em parte converter a Vitamina K-1 em K-2 no nosso corpo e isso é extremamente útil porque a quantidade de Vitamina K-1 numa pessoa que coma regularmente vegetais é, regra geral, dez vezes maior que a da vitamina K-2. (Já quando há uso de antibióticos ficamos então com níveis ainda mais baixos de Vitamina K-2)

No entanto, a evidência actual indica que o processo de conversão é ineficiente, daí beneficiamos muito mais em comer Vitamina K-2 directamente (ou através de suplementos!)
A principal função da vitamina K é activar as propriedades de ligação do cálcio às proteínas. A vitamina K-1(encontrada sobretudo nos legumes) é envolvido na coagulação de sangue, enquanto a vitamina K-2 ajudar a regular em que parte do corpo o cálcio termina.

A acumulação de cálcio nas artérias do coração é um enorme factor de risco para doenças cardiovasculares e SÓ por esta razão qualquer "coisa" que consiga reduzir esta acumulação de cálcio previne a doença cardíaca(1; 2). E é aqui que entra a Vitamina K-2 na ajuda da prevenção do depósito de cálcio nas artérias (3). Há um estudo extenso (entre 7 a 10 anos) com uma redução de 52% de probabilidade de desenvolver calcificação nas artérias (4).

Há realmente MUITAS diferenças entre animais de pasto e animais alimentados a ração (em que o único propósito é que cresçam rápido!) e esta é apenas uma delas!

Referências:
1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18367736
2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23529983
3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4052396/
4. http://jn.nutrition.org/content/134/11/3100.long