domingo, 6 de abril de 2014

O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? PARTE III

Dando continuidade ao O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? agora na parte III do artigo, acho que acabamos por perceber a verdadeira dimensão dos problemas que temos com a realidade da alimentação actual das nossas sociedades. O tema prometia ter uma resposta um pouco mais complexa para as três perguntas que o título do post enumera...

Percebemos, que a carne de vaca (e os seus derivados) que comemos deixou de ser alimentada a erva, percebemos que as quintas que tinham uma diversidade enorme de plantas e animais deixaram de existir (a nível industrial) e que passaram a ser campos enormes (ocupando espaço que pertencia a extensas florestas, arrastando com isso incalculáveis estragos ambientais) de monoculturas de milho (e soja). Com a entrada do cultivo das monoculturas, com a implementação de azoto sintético, de herbicidas e pesticidas, ficou também percebido que deixamos de parte a energia solar (que alimentava os pastos) e da qualidade do húmus dos solos para depender da energia fóssil (usada para produção de fertilizantes, herbicidas e
pesticidas).

Concentrated Animal Feeding Operation

Os animais que antes eram alimentados com erva dos pastos, foram eles também transferidos para fabricas de monoculturas para produção de animais, as chamadas CAFO (concentrated animal feeding operation) na qual vos deixo um excelente LINK que vos dará conta de tudo sobre este infeliz processo.

Será que quando pagamos 1€ no McDonald´s por uma hambúrguer é assim tão barato?


Acho que um NÃO será a resposta mais acertada!!
Ainda assim alimentar animais com milho barato é realmente tentador em relação à energia barata, afinal o milho (junto com hormonas) engordam um animal muito mais rapidamente do que a erva dos pastos.
Não podemos é deixar de parte o preço que iremos todos pagar no que se refere à destruição do solo (com quantidades de químicos que destroem o Húmus), a utilização de uma fonte de energia esgotável (petróleo, usado não só na confecção do milho, assim como no transporte do milho para as fabricas que transformam o milho, no transporte da carne, etc etc etc), à saúde pública e sobretudo ao sistema de saúde na forma de obesidade e outras doenças metabólicas provocadas pela alimentação da qual o milho dará origem (como vimos aqui).
Galinhas criadas ao ar livre e longe de rações de milho

Eficácia é o termo geralmente empregue para defender as quintas industriais de produção de grande escala, mas que poderá haver de mais eficaz do que uma verdadeira quinta em que os resíduos de uma criatura (por exemplo de uma vaca) se tornará no almoço de uma outra (por exemplo da galinha). Que haverá de mais eficaz que converter dejectos de vaca em ovos? Respeitando os solos, os mares, os animais, a saúde do ser humano e a natureza no seu todo.

Eficácia de um sistema industrial é conseguida à custa da simplificação: fazer muito de uma mesma coisa (significa geralmente uma monocultura, seja de animais, ou de uma espécie vegetal), uma vez após outra. Não obedecendo a mais regra nenhuma que não seja produção e lucro!

Cultivo não convencional, biológico e local não é uma miragem como muito nos querem fazer pensar. E como exemplo máximo disso mesmo temos aqui uma fazenda que nos mostra o caminho a seguir:


2 comentários:

  1. Mais uma vez venho felicitar o grande trabalho. Tinha uma pequena ideia do sistema utilizado pelas grandes empresas deste setor no entanto desconhecia o nome e até muitos dos seus meios há procura dos seus lucros...

    É realmente uma infelicidade para os animais, para o planeta e que por daqui a pouco tempo será nitidamente refletido no ser humano.

    Bom trabalho, parabéns.

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