sábado, 3 de maio de 2014

Margarina Vegetal - De imitação da Manteiga ao Topo dos Alimentos Saudáveis

O cenário actual, do ponto de vista dietético, é terrível e ficamos cientes disso assim que entramos num qualquer hipermercado onde abundam os "alimentos" industrializados. Será possível fugir à dieta ocidental? Será possível evitar as doenças crónicas por ela provocadas?

Eu ainda sou um dos que pensam que sim. Mas para tal, teremos todos de ser consumidores informados. O post de hoje incide sobre as Margarinas Vegetais e sobre como publicidades como a que vamos ver a seguir condiciona o nosso comportamento enquanto consumidores.


De facto a publicidade é tentadora. A nutricionista aponta que tem colesterol elevado. Solução: Comer margarina em vez de manteiga. Resultado: Colesterol mais baixo. Porque: Esteróis vegetais baixam o colesterol, está clinicamente comprovado cientificamente, acrescenta o anunciante. 

Desta vez, foram apontados os Esteróis Vegetais como o grande salvador da saúde cardiovascular, mas os ventos predominantes da opinião dietética mudam e a grande vantagem deste produto é que pode facilmente se adaptar a tudo. Acho que nenhuma outra ideia pode ser mais apelativa para os fabricantes de alimentos processados (sim, a margarina é um alimento altamente processado e sintético). O que é preciso acrescentar? Vitamina D? Vitamina E (claro, é para já, dizem a alta voz qualquer fabricante de margarinas), Omega-3, Omega-6 (porque não?). Que mais está na moda para os nutricionistas? A "maravilha" de um alimento processado como a margarina é que pode ser interminavelmente submetido a novas reengenharias para ultrapassar qualquer pensamento nutricional.

A margarina não é um resultado da natureza, mas sim o resultado de um engenhoso método que os cientistas alimentares têm para tornar sólido à temperatura ambiente, os óleos vegetais através da hidrogenação, criando assim as gorduras TRANS. Supostamente seria mais saudável, afinal seria para isso que iriamos trocar a Manteiga pela Margarina. Digo supostamente, porque as gorduras TRANS são muito mais perigosas que as gorduras saturadas (Não. A gordura saturada, não mata ninguém!!!) que deviam substituir



Tudo começa com um processo químico chamado hidrogenação. Que não é mais que o acréscimo de hidrogénio ao óleo vegetal.
Em resumo, a partir da hidrogenação os óleos solidificam-se, dando origem à gordura hidrogenada, base das Margarinas. O problema é que o processo de hidrogenação dos óleos forma isômeros trans dos ácidos insaturados e que ao contrário da gordura animal que o nosso corpo reconhece como natural, conseguindo-a metabolizar, a gordura trans é recebida como uma gordura estranha.

Aqui deixo um pequeno video com toda esta explicação, com legendas em PT.


 Ultimamente a "nova moda" das margarinas é ser Zero Trans, criando uma das saídas encontradas pelos fabricantes que foi acrescentar à fabricação o processo de interesterificação, que não gera gordura trans e mantém a textura cremosa do produto. Todas as margarinas com zero trans têm gordura interesterificada, que nada mais é que um óleo vegetal modificado quimicamente. A isto tudo devemos somar pelo menos sete aditivos químicos sintéticos entre corantes, aromatizantes, espessantes e vitaminas A sintéticas. 

A margarina vai então para os mercados com o rótulo de “alimento saudável”.

O perverso resultado disto é que os alimentos mais saudáveis à venda no supermercado são remetidos ao silêncio da secção dos frescos, mudos como vitimas de AVC, enquanto nuns corredores mais à frente estas Margarinas "gritam" pelos seus ditos benefícios aos consumidores mais desinformados e hesitantes.

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