sexta-feira, 28 de março de 2014

O Que Devo Comer? O Que Estou a Comer? De Onde é Que Isto Veio? PARTE I

Estas são perguntas aparentemente simples, mas que merecem uma resposta um pouco mais longa e complexa da que estamos habituados a ouvir, até para demonstrar ao consumidor mais desinformado como chegamos ao ponto em que mudamos dietas de animais que eram tipicamente herbívoros, para dietas de fast food criadas a milho OMG (geneticamente modificado) carregados de antibióticos e de calorias que fazem o animal crescer muito mais rapidamente, e como deixamos com que o milho seja a base de toda a nossa alimentação (mesmo sem o sabermos)


Até à pouco tempo, saber a proveniência de um alimento não era tão difícil nem obscura até que chegaram os alimentos processados, em que só alguém muito determinado consegue concluir tão difícil tarefa. Mas a verdade é que actualmente a cadeia alimentar industrial que nos alimenta e que termina num supermercado ou num restaurante de fast-food (quando digo fast-food refiro-me a toda a cadeia de restaurantes que usam alimentos que foram alimentados a fast-food, e não apenas a cadeias de restaurantes tipo McDonald´s, esta matéria ficará mais explicita até ao final do artigo) tornou a nossa pergunta um pouco mais complicada, mas ao mesmo tempo reduzida, visto que é constituída por uma única espécie, O MILHO!




O Milho alimenta o novilho que se torna a costeleta. O Milho alimenta o frango e o porco, o peru e o borrego e até mesmo o salmão de cativeiro que é naturalmente um peixe carnívoro, mas que está a ser modificado geneticamente para que possa tolerar o cereal mais barato e que também ele foi modificado genéticamente. Até os ovos criados em gaiolas são feitos de milho. As Carne de Vaca e até os produtos lacteos obtidos através deste animal que antigamente se alimentavam de erva, vêm agora de vacas que estão acorrentadas em espaços fechados a comer...milho modificado!!


Se pensarmos então em alimentos processados este assunto assume níveis catastróficos, basta pensar por exemplo nos nugget´s de frango que acumula milho e mais milho, o frango que entra na sua composição é basicamente milho, o amido de milho que o molda, a farinha de milho que o reveste e o barato óleo de milho que o frita. Até o ácido cítrico que mantém o nugget com um aspecto de fresco, apetitoso e de cor douradinha são derivados do milho. Para piorar o cenário basta adicionar a estes nugget´s um qualquer refrigerante. Beber um refrigerante é estar a beber milho. Se até aqui comíamos o milho, com o refrigerante passamos também a bebê-lo, pois a sua grande maioria são adoçados com xarope de milho, com elevado teor de frutose (pode ver aqui neste post o perigo que representa este tipo de xarope para a nossa saúde).

Pois é o Milho modificado encontra-se nos rebuçados, nos snacks, nos bolos, nos molhos e sopas pré-preparadas, nos xaropes, na maionese, na mostarda, na margarina, no gelado, nas conservas de fruta, etc. E para perceber isso basta conhecer as diferentes designações químicas que este cereal pode assumir, desde Goma Xantana, amido modificado, amido não modificado, sorbitol, xarope de glicose, frutose cristalina, lecitina, maltose, xarope de milho com alto teor de frutose, corante de caramelo, etc etc etc.


Somos o que comemos...bem se isto for verdade, somos essencialmente MILHO processado!!

De onde vem o que estamos a comer?
É difícil perceber, pois os produtores de milho vendem o milho para a industria alimentar que precisa processar todo aquele milho. A partir daí ele pode ser usado para alimentar a vaca que se tornará nos nossos bifes, ou o milho que adoça os refrigerantes que a maioria das crianças e adolescentes bebe ou ainda para qualquer outro ingrediente derivado do milho incluindo os nugget´s que à pouco falei a título de exemplo.

Mas porque raio se tornou o milho modificado, na base da alimentação tanto do gado que criamos, como de todos os "alimentos" industriais"?

O artigo terá mais respostas, mas vamos por partes para que tudo fique bem esclarecido!!!

3 comentários:

  1. Boa tarde. Aproveito desde já para felicitar o seu grande trabalho e por apelar pelos riscos que vários erros "comuns" alimentares da nossa sociedade acarretam para a nossa saúde.

    No entanto já não é a primeira vez que denoto o facto de referir que a frutose é algo a evitar e então se deve reduzir o consumo da fruta para 1 a 2 peças por dia. Efetivamente também sou um estudante de todos os processos alimentares de hoje em dia e de análise aos alimentos, mas tenho de admitir que o facto de referir frequentemente que a fruta também deve ser evitada pelos seus açucares me tem deixado um pouco intrigado. O açúcar é também necessário no nosso sangue e nada melhor de que o proveniente das frutas em associação com as grandes quantidades de vitaminas e não só que encontramos na fruta. Aparentemente a ingestão de 3 a 5 peças de fruta não é a mais indicada. Porquê?

    Mais uma vez, parabéns continue o seu bom trabalho!
    Cumprimentos,
    João Nuno.

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    1. Boa noite João Nuno, sei que a pergunta não é para mim, mas vou dar um toque...

      Vou só dar um motivo básico, fácil e rápido.

      A frutose vai directamente repor o glicogenio do figado... o que acontece quando o figado esta cheio de glicogenio? Não cabe mais??? vamos armazenar, como??? Gordura :/

      Este é apenas um dos vários motivos.. que por exemplo para mim é muito importante.

      (Não tenho qualquer tipo de formação académica na área, sou autodidacta apenas..)

      Abraços

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  2. João Nuno, leia o blog no integral do Dr Souto (low carb e paleolitica.br) e cedo descobrirá que essa falacia: precisamos de glicose/frutose para funcionar... nao passará disso mesmo. uma falácia. é preciso é termos mente aberta e querermos ter coragem para desaprender tudo o que pensamos ter aprendido.

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